Totem

Manuel Caeiro

De 16 Abr a 24 Mai 2013

Contornos geométricos sobrepostos, formas retangulares e diagonais interligadas constituem o vocabulário artístico de Manuel Caeiro; todos claramente visíveis em seus trabalhos recentes, e aqui apresentados em Totem. Em sua versatilidade, esses componentes-chave criam um espaço tridimensional, explorando as fronteiras entre figurativo e abstrato, e jogando com a ideia do Trompe L?Oeil. Rigorosos, espaciais e em cores vibrantes sobre fundos brancos, eles desdobram fragmentos arquitetônicos de minas, piscinas ou armários "difíceis". Algumas estruturas são sólidas e fundamentadas, como fica aparente em suas telas Swimming Pool Again ? Totem (2012) e Amazing Full Emptiness ? A Difficult Closet (2012). Outros arranjos estão completamente suspensos em terrenos imaginários, sem qualquer escala que o espectador possa se referir a, como os segmentos suspensos de sua última tela, Totem (2013), ou as vigas que se expandem num espaço infinito, como em Amazing Full Emptiness or Totem (2012). 

As obras apresentadas, oriundas de séries variadas, convergem a um só propósito em Totem. Ao invés de representar estruturas ou lugares reais, a ideia é que o espectador seja apresentado a espaços (re)inventados ou (re)construídos. Eles não pertencem à realidade, mas ao pensamento: memórias, visões e sensações ganham corpo através da pintura. O interesse do artista na ideia de ?totem? surge de uma preocupação recente com o que ele descreve como ?relíquias sagradas de uma aventura espacial?. Sua função não é apenas contemplativa, os totems não terminam em si próprios; como espectadores, somos convidados a especular e usar nossa imaginação para fazer parte da viagem que propõe o artista, convertendo a ficção proposta em memória coletiva. Ao escolher livremente nosso próprio totem, a visita à galeria desafia a ideia do totem como emblema exclusivo e objeto que transcende o tempo.

A questão abordada por Caeiro está claramente comprometida num diálogo com a arquitetura e áreas relacionadas, como a escultura. Esse compromisso é também aparente no processo de criação do artista, que envolve a apropriação de ferramentas que subvertem as técnicas tradicionais da pintura. Uma vez que múltiplas camadas de tinta tenham sido aplicadas à tela, Caeiro submete a pintura a fricção intensa, assim como a calor extremo e água, utilizando-se de lixa e pistola de ar quente. Cores surgem de camadas mais profundas em busca de novos significados como palimpsestos contemporâneos, num processo que reflete o interesse do artista na desconstrução e reconstrução. Assim, o trabalho atinge as suas propriedades distintivas de superfície ao ganhar textura e tridimensionalidade. De fato, as obras de Caeiro são o resultado de um ato de construção, mais do que de pintura.