In Orbit

Vicente de Mello

De 25 Mai a 22 Jul 2018

lapidário (la-pi-dá-rio) s. m. Artista que lapida pedras preciosas.

"A realização da série Lápidus consistiu na reunião de pedras de minha própria coleção, que recolhi em várias regiões do mundo, ao longo de 35 anos.

Colecionar é ajuntar coisas favoritas sem motivo aparente, tornando-as especiais por  causa de uma história pessoal, que ninguém mais conhece. Mas desde que essas histórias não são reveladas, o resultado é algo triste, contido - Guardar perde-se a coisa à vista”.

As pedras de Vicente foram organizadas em composições oníricas, de forma a criar pequenas aglomerações que remetem as imagens oficiais ilustrativas, criadas pelas agencias espaciais, da representação de grupos de asteroides.

Os Lápidus são fotograma, imagens singulares pelo processo fotográfico realizado sem câmera e sem negativo, e consiste na simples impressões construídas pela velatura da luz direta que ocorre pelo contato de objetos sobre a superfície do papel fotográfico.

Com a colocação das pedras sobre o papel fotográfico, a forma destas é conseguida pela obstrução da passagem da luz sobre a sua superfície, sem relevo e volumes, como um ”desenho” branco sobre o fundo negro, que é a emulsão queimada pela luz em laboratório, onde o papel revelado é o resultado final.

As pedras não se repetem. As mais sólidas não deixam refletir os seus contornos, enquanto a leveza e a imprevisibilidade ocorrem com as mais claras e transparentes.

Lápidus foi realizado em dois momentos, o primeiro em 2014 com 13 fotogramas e o segundo em 2017, com 09 fotogramas.

Em um grande mesa, de  2,50 m de comprimento, estarão dispostas as pedras, na posição exata da composição dos fotogramas, recriando um modelo em escala 1:1. O volume das pedras serão reveladas por um foco único intenso de luz pontual que está em um das extremidades com seu facho de projeção rasante, que assim como o sol, o efeito brilhantes ocorre nas mais próximas, e de penumbra nas mais distantes.